A Moreninha - Joaquim Manoel de Macedo


[Resenha] A Moreninha - Leitura Romance Café
A Moreninha
A verdade é que uma boa história nunca morre ou envelhece; um bom livro vê os seus temas acompanhar o desenvolvimento da nação, e a cada geração ele se encaixa e se torna atual. Assim é A Moreninha.
Nesse livro, vamos conhecer uma turma de amigos bastante interessante, jovens estudantes de medicina numa época de ouro. Tudo começa quando Felipe diz aos amigos que irá visitar sua avó, numa conversa corriqueira ele não poupa elogios às primas tentando incentivar o boêmio Augusto a ir.  





[Resenha] A Moreninha - Leitura Romance Café
A Moreninha


Título Original: A Moreninha
Autor: Manoel de Macedo 
Ano: 1844
Editora: Saraiva
Páginas: 159
Categoria: Romance


O que é A Moreninha?

A moreninha é um dos principais romances brasileiros e seu autor, ao lado de Manuel Antonio de Almeida, José de Alencar, Machado de Assis, Aluísio Azevedo e outros poucos, é um dos mais importantes autores da língua portuguesa. Este livro, centrado no romance entre Augusto e Carolina, é um dos pilares de nossa literatura. Numa época onde a cultura era totalmente voltada para a Europa, A moreninha é uma das primeiras e magníficas tentativas de fazer literatura brasileira, observando usos e costumes do Brasil do Segundo Império, retratando o cotidiano da vida brasileira em meados do século passado. Joaquim Manuel de Macedo (1820-1881) era médico, mas jamais exerceu a profissão, tendo dedicado sua vida à literatura, à imprensa e ao teatro.

SinopseO romance A Moreninha conta a história de um grupo de estudantes de Medicina que vai passar um fim de semana numa ilha. Um deles, Augusto, se diz capaz de resistir a um relacionamento amoroso, e acaba fazendo uma aposta com Felipe, nesta fica estipulado que se Augusto amasse alguém por mais de quinze dias teria de escrever um romance e confessar seu amor. Na ilha, Augusto passa a se envolver com Carolina, a moreninha, irmã de Felipe.


A verdade é que uma boa história nunca morre ou envelhece; um bom livro vê os seus temas acompanhar o desenvolvimento da nação, e a cada geração ele se encaixa e se torna atual. Assim é A Moreninha.
Nesse livro, vamos conhecer uma turma de amigos bastante interessante, jovens estudantes de medicina numa época de ouro. Tudo começa quando Felipe diz aos amigos que irá visitar sua avó, numa conversa corriqueira ele não poupa elogios às primas tentando incentivar o boêmio Augusto a ir.  

“- Augusto  é incorrigível. - Não, é romântico. - Nem uma coisa nem outra... é um grandíssimo velhaco. - Não diz o que sente. - Não sente o que diz. - Faz mais do que isso, pois diz o que não sente.”

Entre os diálogos muito bem desenvolvidos e diretos, Leopoldo, Fabrício e Felipe desafiam o amigo com uma aposta incrível, gente, essa foi a melhor aposta que eu já vi: Se ele os acompanhar e lá se enamorar por alguma das jovens no período curto de quinze dias, o mesmo terá que escrever um romance, mas em contrapartida se Felipe perder, terá que deixar nas páginas de um livro sua grande derrota. De qualquer modo, eles teriam essa grande aventura gravada por longas gerações. (Amei)

Pausa para um detalhe: existe um motivo pelo qual Augusto não consegue se enamorar por uma jovem, o coração dele há muito tempo foi prometido a uma jovem que ele conheceu em uma viagem, quando ainda era apenas uma criança. Para essa menina, ele deu um camafeu e jurou o seu amor eterno.

De volta ao enredo, assim que eles chegam na Ilha, tudo parece criar cor e movimento, é muito bom conhecer a família de Felipe, apreciar essa descrição natural de uma família à antiga.  Joaquim é o típico escritor que não enrola, rapidamente ele usa de palavras certas para descrever um cenário, e sem você se dar conta, já está dentro dele, rindo em meio às peraltices que vez ou outra acontecem e deixam a história ainda mais divertida e encantadora.

Rapidamente, os jovens se identificam, afinal, os pavõezinhos estão rodeados por lindas pombinhas, doces, encantadoras e matreiras. Dentre todas, a que se destaca é a linda Carolina, que também é conhecida como a Moreninha, no decorrer do livro, ela se mostra uma moça à frente de seu tempo, mas sem bater de frente com o sistema. Isso não deixa de ser encantador.

A avó de Carolina é uma senhora muito aberta, e entre os muitos diálogos, se apega a Augusto. Ambos passam a conversar bastante e entre uma conversa e outra, o rapaz se justifica explicando a ela o motivo de não se prender a uma única mulher. A peralta mocinha, na calada, ouve toda a conversa. E a história de amor se desenrola...

ALERTA SPOILER :


Eu poderia dizer que, para mim, A Moreninha é mais como uma comédia romântica, os percalços acontecem, idas e vindas, encontros...

Naquela época, esse livro alcançou multidões, muitos leitores se identificaram com a obra leve e suave. E isso intrigou muitos escritores. Afinal, a obra não tinha as muitas firulas dos grandes autores que, muitas vezes, pesavam os diálogos pomposos e estavam visivelmente inclinados a uma literatura estrangeira. E talvez esse foi o grande segredo de Joaquim, alcançar o maior número de pessoas brasileiras, usando um vocabulário atual, rico e coeso.  

Você, durante a leitura, irá se deparar com um toque de realismo e isso é muito agradável ao leitor, compreender costumes, visitar lugares aqui mesmo do nosso Brasil, tudo envolto por um romantismo ingênuo, e a apreciação pela figura da mulher.

É um livro clichê? Sim, hoje sim. Mas naquela época foi uma renovação. Uma típica comédia romântica que caiu na graça do povo. Um rastilho de pólvora que abriu a mente de outros autores e disse: Ei, aqui no Brasil o amor também acontece!


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