Cereja... Lembra? - Fabris Carvalho

Leitura Romance café -
Cereja... Lembra?

A vida pode ser bem mais interessante quando nos deparamos com os desafios. Baseada nisso, aceitei o desafio de entrar em uma leitura coletiva (a minha primeira). Como já leram acima, o título é bastante interessante: Cereja... Lembra?

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Cereja... Lembra? 

Título Original: Cereja... Lembra?
Autor: Fabris Carvalho  
Ano: 2019
Editora: Independente
Páginas: 211
Categoria: drama


Sinopse.
Com um pai ausente e uma mãe autoritária, Maria Clara se vê em apuros durante anos ao sofrer bullying excessivo por parte das irmãs Ribeiro. Quando decide mudar o rumo de sua história, Clara conhece Edu, que logo se torna seu melhor amigo, e juntos, atentam contra as irmãs infernais, tirando-as do caminho em um plano de vingança genial. Em meio a tudo, através de um site de relacionamento, Clara se depara com sua primeira chance de um verdadeiro amor, que sucumbe após uma decepção. Magoada e confusa, a garota de 16 anos passa a se relacionar com Ed, um usuário de drogas, e é quando, após muito se aprofundar em uma vida lúdica/perigosa e destruir todos os laços que conquistara, é diagnosticada com Esclerose Múltipla em estado avançado, sentindo que estar à beira dos últimos suspiros de vida, ficando exposta ao medo e dividida entre o certo e o errado..

Leitura Romance café -
Cereja.... Lembra?

 Resenhando | CEREJA ... LEMBRA?| PÁG. 211 |FABRIS CARVALHO



Apesar de este ser um livro para jovens, os temas abordados são mais que interessantes. Ao longo da vida escolar de Clara, muita coisa vai acontecer, eu te garanto. Em alguns pontos, você pode até achar os temas comuns comparando a outros livros, mas com certeza o inesperado às vezes pode bater na nossa porta e nos surpreender.  

Vou dar uma rápida pincelada no enredo.

Cerejas... Lembra?” conta a história de Maria Clara, uma jovem de 16 anos que está passando por aqueles probleminhas na escola. Infelizmente, pelo que pude perceber, para piorar sua vida, ela não tem a menor noção de moda. Somando isso aos seus cabelos ruivos, rosto sarnento, aparelho no dente e o inseparável óculos... Pobre garota kkkk.

As poucas forças que ela tem para enfrentar essa barreira do Bullying vêm de sua família, que até a página 100, com pinceladas rasas, te dá a entender que não é tão má assim.   


Já cansada de ouvir o humilhante apelido “água de salsicha”, ela termina o ano letivo e praticamente implora aos pais para mudar de escola. A mãe dela, apesar de compreender suas inseguranças, não vê nisso uma saída, mas sim uma fuga; então, como muitos pais que às vezes erram tentando acertar, com o intuito de ajudar Maria Clara a se tornar uma mulher mais forte, a mãe decide que a filha deve permanecer no mesmo lugar, afinal falta pouco para ela terminar o Ensino Médio, e como a vida não é para ninguém um conto de fadas, cabe a cada um de nós aprendermos, sim, a vencer os desafios.

Sem muitas opções, a jovem adolescente (digo adolescente, por ela parecer ainda bem adolescente mesmo) decide fazer do seu recesso escolar uma marcha em busca da beleza. Na verdade, a única coisa que ela busca é não ser notada, isso já seria o ideal. 



No primeiro capítulo é derramado um balde de informações, os acontecimentos são muito acelerados (em sua maioria os bullyings que tanto a constrange). Então você tem informações rápidas, porém ao mesmo tempo te permitem entrar no contexto do dia a dia de Maria Clara.

O ano letivo começa e ela quase acerta, seu plano só não teve tanto sucesso devido as impiedosas irmãs Ribeiro, que não deixam nada passar batido e a vêem como uma inimiga.

"Eu quero explodir as irmãs Ribeiro assim como a mão de Soraia explodiu em minha cara." 

Para sorte de Maria Clara, chega à escola Eduardo, que acaba se tornando seu grande amigo. Ele entende Clara e passa a bolar meios para se vingar das irmãs Soraia e Brenda (suas arqui-inimigas). É ai que entra a questão: Se tornar como aqueles que te ferem é a melhor escolha a se fazer? Como se defender ou ao menos guardar o seu coração assim como a mãe lhe pede, lembrando a filha que ela pode até mudar a aparência, mas o coração, esse deve permanecer intacto.

Um acontecimento, infelizmente, acaba culminando na suspensão de Clara. Como já diz o ditado: “mente vazia, oficina do diabo”, sem ter o que fazer em casa depois de uma cessão de fotos com seu amigo Edu, ela se arrisca a entrar num site de relacionamentos. Lá ela conhece o Cereja17.

Apesar de o contato ser apenas on-line, as conversas são tão agradáveis que até mesmo você terá a impressão de que eles se conhecem há muito tempo. É aqui que as muitas perguntas surgiram e me impulsionaram a continuar a leitura.  

Não tem como você não fazer muitas perguntas, afinal, ela está mergulhando num terreno bastante arriscado, onde, na maioria das vezes, a pessoa acaba se vendo engolida e aprisionada pelas águas lamacentas de um pântano, escondido e oculto dos olhos dos pais, que nesse ponto erraram dando a ela total confiança. 


É incrível o quanto podemos ser uma presa fácil. Nos passos que damos, às vezes podemos pisar num terreno inóspito e sermos surpreendidos; e quando os olhos se abrem, podemos nos ver sendo engolidos por uma torrente lamacenta e grudenta de fatos inesperados. 
No fluir da leitura, você pode notar que no curto período de um ano, muita coisa muda na vida de Clara: amizades, sentimentos e o que sua mãe mais temia: o coração e a forma de lidar com os problemas. Rendida, ela simplesmente se deixa ser levada, pisando sem medo em lugares desconhecidos.
Sabe onde eu vi que mora o perigo?

“Liberdade é uma palavra que tem insistentemente feito parte do meu vocabulário e vida. Tê-la colocado em prática tem acometido um grande diferencial, desencadeou uma porção de possibilidades.”

O livro é repleto de personagens: Jorge, Ed, Cléo, Eleonor, Rute...
Como eu não li a sinopse, fiquei cheia de idéias, sem saber se ela poderia morrer ou... Tá, acontece que o livro segue por um caminho bem inesperado, e se você não ler a sinopse ficará muito curiosa. Eu consegui compreender bem a intenção do autor.

A capa é simplesmente encantadora, e como estou lendo em PDF, não posso afirmar quanto à diagramação em ebook. Em PDF, ficou simples e ao mesmo tempo confortável. Minhas palmas vão para o título do livro; não tem como não sorrir na hora que você descobre o porquê de o livro se chamar: Cereja... Lembra? Minha opinião é que isso deu o “glamour” na história carregada de drama.

Este é um livro com uma linguagem bastante comum, voltada realmente para o público jovem adulto. No começo, senti certa dificuldade de entrar na vida de Maria Clara, principalmente porque em alguns momentos você tem a impressão de que está lendo um diário deixado por ela. Isso te gera dúvidas: será que ela está viva e bem? Ou é apenas a escrita do autor que em muitos pontos simplifica os fatos com frases curtas, dando ao mesmo tempo uma boa idéia do que está acontecendo no contexto geral?...

Só li a sinopse depois de concluir a leitura, e alguns pontos mencionados na sinopse só consegui identificar depois da página 122. Coisas simples Ex.: a mãe ser autoritária, ou desatenta. Antes eu não conseguia vê-la assim, talvez seja por presenciar mais a vida dela junto aos amigos, então não sei como era a relação dela em casa com os pais assim que tomou os caminhos inesperados.

No geral, a leitura é gostosa, corrida e simples, com um conteúdo bastante reflexivo. Fiz a leitura em um dia e meio com pausas grandes.
Como sempre, marco abaixo alguns quotes que gostei bastante...

“Amigos de verdade não se perdem pelo caminho...”


“É surpreendente como de repente descobrir nossas incapacidades nos deixa tão mais incapazes.”


“Sempre estaremos tristes demais para alcançar a felicidade, ou felizes demais ao ponto de esquecermos que podemos vir a chorar. No entanto, sempre é possível, e vale a pena, lutar cada segundo por quem amamos, mesmo que não sejamos eternos, pois o amor vence, e ele sempre irá esperar.”


Um dos trechos que me vi lendo um diário, sensação constante na minha leitura:


 “Tudo parece perfeito depois do que aconteceu a Brenda. Ela está estranha, observando assiduamente cada aluno de nossa turma desde o acontecimento. No refeitório, ela faz a mesma coisa, e Soraia também está absorta em algum objetivo. Edu pede para que eu não demonstre interesse na estranheza das duas, pois elas buscam por um sinal.”


É um bom livro de drama. 


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