O jardim esquecido


É muito bom quando o seu primeiro contato com um autor te surpreende. Fiquei a todo instante envolvida na história; e quanto mais lia, mais eu queria ler.
Como na descrição da sinopse, Cassandra carrega um trauma, e não sendo bastante, dez anos depois tem a sensação de que perdeu tudo com a morte de sua avó.




Título Original: O Jardim Esquecido 
Autor: Kate Morton
Ano: 2018
Editora: Editora Arqueiro
Páginas: 496
Gênero: Romance/ Drama
IG: @leituraromancecafe


Sinopse:   Uma criança abandonada, um antigo livro mágico, um jardim secreto, uma família aristocrática, um amor negado. Em mais uma obra-prima, Kate Morton cria uma história fantástica que nos conduz por um labirinto de memórias e encantamento, como um verdadeiro conto de fadas.Dez anos após um trágico acidente, Cassandra sofre um novo baque com a morte de sua querida avó, Nell. Triste e solitária, ela tem a sensação de que perdeu tudo o que considerava importante. Mas o inesperado testamento deixado pela avó provoca outra reviravolta, desafiando tudo o que pensava que sabia sobre si mesma e sua família.Ao herdar uma misteriosa casa na Inglaterra, um chalé no penhasco rodeado por um jardim abandonado, Cassandra percebe que Nell guardava uma série de segredos e fica intrigada sobre o passado da avó.Enchendo-se de coragem, ela decide viajar à Inglaterra em busca de respostas. Suas únicas pistas são uma maleta antiga e um livro de contos de fadas escrito por Eliza Makepeace, autora vitoriana que desapareceu no início do século XX. Mal sabe Cassandra que, nesse processo, vai descobrir uma nova vida para ela própria.

Resenhando - O Jardim Esquecido

É muito bom quando o seu primeiro contato com um autor te surpreende. Fiquei a todo instante envolvida na história; e quanto mais lia, mais eu queria ler.
Como na descrição da sinopse, Cassandra carrega um trauma, e não sendo bastante, dez anos depois tem a sensação de que perdeu tudo com a morte de sua avó.

Mas as tragédias que nos cercam nem sempre têm o lado negativo, a jovem vê sua vida transformada após a abertura do testamento de Nell, que morreu sem conhecer suas verdadeiras origens um tanto misteriosas, afinal, ela foi deixada em um navio com apenas 04 anos de idade, em circunstâncias incomuns.

Com a abertura do testamento, a jovem passa a ser herdeira da denominada mansão “O Chalé do Penhasco”. Inquieta e intrigada com o passado de sua avó, Cassandra decide viajar à Inglaterra em busca de respostas. Lá, ela se depara com um isolado chalé, rodeado por um jardim abandonado, à beira de um penhasco (amei as descrições desse trecho). 

Para encontrar as respostas que busca, ela tem como ponto de partida uma maleta antiga e um livro de contos de fadas escrito por Eliza Makepeace, autora vitoriana que desapareceu no início do século XX ( isso já é uma deixa do que teremos pela frente).


“A chave do mistério fora a maleta branca, ou melhor, seu conteúdo. O livro de contos de fadas, publicado em Londres em 1930, o retrato na folha de rosto. Nell reconhecera imediatamente  o rosto da contadora de histórias. Algo nos recônditos de sua mente forneceu os nomes antes que seu consciente fosse acionado, nomes que ela achava que pertenciam apenas a uma brincadeira de criança. A dama. A autora.”  (Pág.: 68)
Uma vez diante do jardim, dá-se o início da maravilhosa aventura, e gente, como esse livro é incrível!  Hipoteticamente, acredito que em breve ele será levado para as telonas.

A jornada é gostosa e se mistura entre o presente (2005) e o passado, dando a nós uma distância de tempo de quase 100 anos, que inicia em 1913. O interessante é que quanto mais você avança nas descobertas do presente, mais se inquieta para voltar ao passado e explorar um pouco mais a respeito das histórias há muito esquecidas. Isso, tanto para quem escreve como para quem lê, é muito difícil, mas Kate Morton conseguiu me encantar. Cassandra (protagonista principal), espertamente, ainda que aos poucos, começa a desvendar as pistas e juntar os blocos, que por vezes, sem querer, Nell deixou que se perdessem. Conforme as páginas avançam você se vê preso a novos mistérios. 

O enredo é narrado em terceira pessoa, de fácil compreensão, os diálogos são claros; a diagramação mantém o padrão alto, e a capa vibrante tem um ar de mistério.

​A temática temporal facilmente consegue atrair milhares de leitores (inclusive eu), agora você junta isso a personagens cativantes, uma garota curiosa, mistérios há muito esquecidos, e o que temos? Um ótimo Livro!

​Sabe aquela leitura que conforme você vai lendo, inevitavelmente, ainda que não queira, elabora várias teorias? Isso acontece, principalmente no final.

Tá, nem tudo são flores; o desenvolvimento em alguns pontos ficou a desejar. Para quem leu o primeiro livro de Cassandra Clare, Cidade dos Ossos, sabe bem o que quero dizer. A ideia é perfeita, mas as muitas explicações descritivas de cenas, fatos e recordações podem pesar a história em alguns pontos. 

Mas atentamos para o que é inegável, é um livro que quanto mais você lê, mais você se prende aos segredos; e nas últimas páginas, somos invadidos por reviravoltas surpreendentes e emocionantes, que te deixam contente pela leitura. Garanto a você que em alguns pontos se verá fazendo parte de uma família que não é a sua. Cafeteiras e miguchas de plantão: Esse eu ultra recomendo.

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